Home office – Oportunidades e desafios em tempos de pandemia



Fazer da casa um escritório. Quando o lar é o melhor lugar para se manter vivo (e produtivo), o significado literal da palavra home office faz sentido para quem quer resguardar não só a vida como também a carreira. Mas é claro que quem leva o escritório para casa não está totalmente imune de sofrer impactos sócio-econômicos causados por uma pandemia mundial - como queda de receita, redução de salário ou perda do emprego. Porém, quem trabalha dessa forma encontra justamente na crise oportunidades para fazer ainda mais negócios.

Um exemplo é o empreendedor que vende por meio das redes sociais e que agora pode ampliar a cartela de clientes atraindo aqueles que davam preferência às compras em ambientes físicos. Já para os que pouco ou nunca apostaram no home office, o momento é de se reinventar. Quem sabe alguns negócios até percebem que de alguma maneira já exerciam o trabalho remoto ou portátil - que considero as definições mais adequadas para home office – se aprimoram durante a crise, superam desafios e crescem com essa modalidade de trabalho, mesmo após a pandemia?

É esse o tipo de experiência que hoje vivo como assessora de imprensa na Oficina de Comunicação. Desde que iniciei minhas atividades na agência, em junho de 2013, meu trabalho sempre consistiu em atender os clientes de forma remota, pois são grandes empresas com operações instaladas em vários estados brasileiros. A diferença no trabalho remoto, na agência, é que este era intercalado com visita, realização de media training, reunião de planejamento com a área de Comunicação Corporativa, acompanhamento de entrevistas, entre outras atividades que até então necessitavam da presença do assessor.

Diante da pandemia, quase todas essas atividades presenciais foram substituídas pelo trabalho virtual, mas nem por isso perderam a qualidade. Ao contrário, a bagagem de experiências bem sucedidas no atendimento à distância, inclusive de gerenciamento de crise, foi fundamental para manter a motivação e a prestação de serviço de forma produtiva, ágil e eficiente.

As reuniões entre a equipe da Oficina e os clientes continuam exigindo pontualidade, objetividade e, sobretudo nesse cenário, criatividade para propor pautas que gerem interesse da mídia. O que mudou apenas é que as tratativas em torno da mesa passaram a ser feitas por meio de videoconferência. O relacionamento com a imprensa continua o mesmo e, em determinadas situações, até se intensificou com o apoio de aplicativos, notadamente o WhatsApp, para reforçar o envio de press release, nota e agendamento de entrevista. Os mesmos recursos tecnológicos também têm sido úteis para agilizar o contato e tomada de decisão entre a agência e o cliente. Até mesmo o media training, um dos produtos mais robustos e requisitados da Oficina, passará a ser oferecido também à distância.

Segundo o Centro de Estudos e Pesquisa de Teletrabalho e Alternativas de Trabalho Flexível (Cetel), da Business School São Paulo (BSP), 12 milhões de pessoas trabalham de modo remoto, a maioria das áreas de TI, Comunicação e Vendas. Esses dados foram colhidos muitos anos antes da pandemia. Hoje, o número deve ser ainda maior tanto pela evolução tecnológica, que impulsionou novos modelos de trabalho, quanto se levarmos em conta os trabalhadores informais que trabalham à distância. Com a pandemia, o home office ganhou mais relevância e tornou-se uma necessidade, mas como toda modalidade de trabalho, também tem seus desafios e não é para todos.

Trabalhar literalmente em casa, por exemplo, requer não só ambiente, equipamentos, programas e tecnologia minimamente apropriados, como também muita disciplina e uma família que respeite e colabore para o trabalhador não “deixar cair a peteca”. Além disso, certas funções jamais poderão ser exercidas de forma remota, seja porque não são portáteis ou porque necessitam de intervenção humana direta.

Em contrapartida, o home office proporciona um ganho considerável de qualidade de vida e bem-estar. Os minutos, ou horas, perdidos no trânsito para se deslocar ao trabalho passam a ser utilizados para planejar melhor as atividades do dia, agendar aquela consulta médica que nunca dava tempo de marcar ou praticar uma atividade física com um pouco mais de tranquilidade e, assim, começar o expediente mais disposto. O convívio com a família torna- se mais frequente e proporciona o aconchego necessário para recarregar as energias que ajudam a fortalecer e manter o ânimo para encarar qualquer empreitada, sobretudo em tempos tão desafiadores como esse.

O abraço e aperto de mão, a troca de cartões de visita, a definição de planos e metas tomando um café bem passado... tudo isso dá saudade, mas não propriamente uma falta. Não uma falta de comprometimento e seriedade, atributos que não caem em desuso com o home office. Paradoxalmente, se mostram ainda mais presentes, apesar da distância.


Por Rosana Terra, jornalista, especialista em assessoria de comunicação, é assessora de comunicação da Oficina de Comunicação, atende clientes do setor de mineração e serviços.

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